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40 anos sem Clarice(s)

13.12.17

 #clarice lispector



Quantas mulheres cabem numa pessoa, numa vida, numa folha de papel? Quantas mulheres você já foi hoje, ao mesmo tempo, desde que acordou, e o quão inteira você vai estar amanhã de manhã?


 
Como tantas, Clarice Lispector era muitas, a escritora misteriosa que se rasgava em textos intensos que falam (e calam) cada uma de nós, mãe, esposa de um diplomata se dividindo em uma vida nômade e luxuosa, e depois, divorciada e prazerosamente solitária no Rio de Janeiro, aonde trabalhou como repórter, tradutora, entrevistadora e colunista pra completar a renda do mês.


 
A escritora que nos deixou há 40 anos, recém completos esse mês, também era Tereza Quadros, Helen Palmer e Ika Soares, como assinava nas colunas sobre casamento, maternidade, beleza e moda, com dicas que podem parecer pra lá de frívolas se comparadas aos livros da mulher do coração selvagem.


 
“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente. Desde que seja seu mesmo.”, escreveu Helen Palmer em 1959 na sua coluna Correio Feminino: Feira de Utilidades.


 
"A mulher inteligente não é escrava dos caprichos dos costureiros, dos cabeleireiros e dos fabricantes de cosméticos. Antes de adotar a última palavra da moda, ela estuda o efeito da mesma sobre seu tipo.".“Não saber parar de se enfeitar é como não saber parar de comer. Só que, na elegância, a indigestão é dos olhos”, disse Tereza Quadros entre outras tiradas que destilavam uma certa ironia e humor, que iam sutilmente liberando a mulher dos anos 50 e 60 pra uma vida mais independente, segura e livre.


 
Como todas as Clarices que habitavam Clarice, essa mulher misteriosa, bela, brilhante e única, que merece ser celebrada mais do que nunca e sempre, por todas que foi e tudo que é!
 
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