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como dois e dois são... duas!

06.04.17

 #d.uas design #pernambuco



Há pouco tempo a gente trocou uma ideia com a Gabi Fiuza, lá de Pernambuco, dona da Calma Monga - lembra? A Gabi contou pra gente como o design pernambucano anda forte, criativo, comercial e super autoral, e a gente não pôde deixar de conferir. Foi assim que esbarramos nas meninas da d.uas design, marca que tem como carro chefe as cores fortes e a estamparia. E teria como não ser? É Pernambuco, é Brasil! 


Lia Tavares e Marina Viturino são os nomes à frente da d.uas.  Elas são melhores amigas e já no finzinho da faculdade tiveram a ideia de trabalhar juntas: “Não precisava ser inovador, inédito ou uma ideia revolucionária. A gente só queria ser feliz no que fosse fazer (e, de quebra, conseguir pagar as nossas contas)”, conta Lia, ariana, prestes a fazer 31 anos e que nos cedeu carinhosamente uma entrevista entre um afago e outro em Dora, sua filhota com menos de um ano. 


As meninas gostam é de vestir as coisas! A d.uas design tem desde objetos de decoração, como almofadas e banquetas em suas estampas lindas, até as roupas, claro, que podem vestir todos os tipos de mulheres — a empresa tem uma preocupação superbacana com a representatividade das mulheres na comunicação da marca. Todo mundo pode se sentir linda, poderosa e "amostrada" - como elas dizem! 

Vem conhecer com a gente quem são essas pernambucanas maravilhosas, criadas em Olinda (alô terra do carnaval!) e o que elas estão aprontando pelo Recife 

Conta pra gente um pouquinho da história de vocês!
Somos amigas há 18 anos! Melhores amigas! Estudamos juntas na escola dos 12 aos 17. Depois disso, Marina foi cursar Design e eu Arquitetura, ambas na UFPE. Antes do fim dos nossos cursos a gente já sabia que queria trabalhar juntas em algo apaixonante.Aí veio o trabalho de conclusão de curso da Marina, que foi a criação de estampas exclusivas pra móveis garimpados. E o meu, sobre a história do mobiliário moderno. Foi aí que nos juntamos, começamos a desenhar móveis e a criar estampas exclusivas pra cada um. Como acabava sobrando muito tecido (nossa matéria prima mais cara) dos estofados, começamos a criar almofadas e pequenos acessórios estampados, visando o lixo zero e permitindo que outras pessoas, que antes não eram o nosso público alvo, passassem a adquirir esses acessórios. Foi aí que vimos que o nosso forte eram as estampas que a gente criava, e não necessariamente os móveis. Em 2013, passamos a sentir a lacuna que havia no mercado recifense de marcas locais de roupa com estampas legais e exclusivas, e muitos clientes passaram a comprar os nossos tecidos de decoração pra confeccionar saias e vestidos! Vimos aí uma oportunidade. Até o fim do ano passado, moda representava 70% do nosso faturamento. Hoje temos uma loja própria e 2 lojas em parceria com a Trocando em Miúdos e a Calma Monga (o projeto Rosa Amarela), além do e-commerce. Estamos crescendo mas temos certeza da solidez da nossa essência, que é o trabalho exclusivo, autoral, a produção local, o comércio justo e o respeito pela nossa equipe, fornecedores e clientes


Como é ter uma marca feita de mulheres e pra mulheres? Quais preocupações vocês tem na comunicação, na modelagem, no trato comercial?
Somos apenas mulheres, tanto na d.uas como no nosso projeto Rosa Amarela. Nós fazemos de tu-do! Podemos fazer tudo! Claro, o caminho é muito mais difícil, mas é um desafio maravilhoso. Desde que passamos a trabalhar com moda, começamos a ouvir muito mais as clientes. E como havia muita exclusão e preconceito nesse meio, nos preocupamos em empoderar todas as mulheres, de forma que elas se sintam felizes e acolhidas nas nossas lojas. As mulheres que usamos nas nossas fotos são reais, são nossas clientes e amigas, que se identificam com a marca e topam aparecer da forma como realmente são. Há pouco tempo, começamos a fazer também peças GG e tem dado muito certo, o mercado precisa ser mais humano e acolhedor. 

Como o ser pernambucana envolve a criação de vocês? E o carnaval?
O carnaval está no nosso DNA, é impossível fugir disso! Amamos fazer peças de carnaval, onde misturamos a produção das nossas estampas com tecidos brilhosos e diferentes do que habitualmente trabalhamos. Pernambucano é um povo muito vaidoso e orgulhoso das suas origens e revoluções. Fomos criadas em Olinda e isso reflete diretamente em quem nos tornamos e, consequentemente, na d.uas. Olinda e Recife são cidades irmãs que carregam história, cores vibrantes, orgulho da cultura, música e cinema. É impossível fugir das nossas referências. Também buscamos outras de fora pras nossas coleções, mas tudo leva a nossa essência amostrada, e até um pouco bairrista, pernambucana.

A cor e a estampa são o carro chefe da marca. Como vocês relacionam isso com o local pernambucano?
Nós carregamos as nossas referências sem nem perceber. Por exemplo, apesar de amarmos flores, plantas e bichos, raramente colocamos esses elementos nas nossas estampas. Não por não achar bonito, mas porque achamos que outras pessoas já fazem isso tão bem que isso seria cair no lugar comum aqui. Por estar no Recife, e ter visto chita a vida inteira (que nós amamos e achamos linda!), fomos por outro caminho. Isso não foi falado ou decidido quando criamos a marca, simplesmente aconteceu e deu certo. Mas também não abrimos mão das cores fortes! Pela nossa formação acadêmica, carregamos uma forte referência de designers, arquitetos e obras importantes, e amamos colocar essas referências nas nossas estampas e coleções. Geralmente as nossas estampas são carregadas de geometria e cores fortes: esses dois elementos nos representam bem hoje em dia. 


Onde vocês buscam as inspirações pras coleções e como é o dia-a-dia de vocês dentro da empresa?
Quando passamos a trabalhar com moda, tivemos uma enorme dificuldade em nos encaixar nesse calendário ditado pelos grandes eventos do mercado. Pra nós não fazia sentido trabalhar com as 4 estações tão definidas, aqui não temos isso. Então resolvemos simplesmente não fazer. Também nunca fomos de acompanhar semanas de moda, blogs ou revistas específicas da área, então fomos fazendo tudo o que gostávamos e não o que saía das passarelas e deveria estar nas lojas no outro dia. Acho que essa é a grande vantagem de ser uma empresa pequena no mundo da moda: poder fazer do seu jeito. Hoje em dia trabalhamos com coleções temáticas, procuramos pesquisar bem sobre o tema, se possível fazer visitas locais, entrevistas, tentar entender a verdade daquilo que vamos mostrar às pessoas. E, apesar da equipe super afinada que temos hoje em dia, tentamos cuidar desde a criação até a produção, vendas, comunicação, financeiro. Estamos presentes em todas as áreas da empresa.

O que a d.uas quer realizar em 2017? E a longo prazo?
Demos um grande passo no início desse ano (com o projeto Rosa Amarela), que foi abrir uma loja na Zona Sul da cidade. Recife tem essa divisão bem clara entre Zona Norte e Zona Sul, e isso ainda era um bloqueio pros nossos clientes, que queriam comprar as nossas peças mas nunca conseguiam ir às nossas lojas. Aos poucos, estamos aumentando a nossa equipe e inovando nas coleções, aumentando produção, etc. Ainda almejamos uma loja onde a gente possa reunir as nossas criações de moda e da nossa linha home. E, futuramente, chegar ao Rio, São Paulo e Belo Horizonte, cidades que mais compram na nossa loja virtual!

E a Marina e a Lia? 
Nossos planos de vida são entrelaçados. É impossível pensar no nosso futuro e crescimento pessoal sem a d.uas. Ano passado me tornei mãe e vi quão louca e incrível a vida pode ser. Um pouco antes dos 4 meses, Dora passou a vir trabalhar comigo pra que eu conseguisse me dedicar à amamentação exclusiva e à d.uas, tudo ao mesmo tempo. É exaustivo, mas é um privilégio enorme usufruir disso. Voltei justamente quando Marina estava saindo de lua de mel, depois de carregar a empresa sem a sócia, abraçando todas as funções que, na teoria, seria impossível de dar conta, mas podendo contar com uma equipe incrível . A d.uas é o nosso projeto de vida, onde somos felizes diariamente, e queremos crescer juntas. Ao mesmo tempo, hoje conseguimos observar que a vida fora da d.uas também importa muito, e é dela que tiramos o nosso combustível.

Como vocês enxergam a produção local e autoral de pernambuco?
Muito forte! Hoje é impressionante o número de amigos que vivem de suas próprias marcas, negócios e empresas. O orgulho da história, cultura, música e cinema acaba se estendendo e ampliando pra moda. Mas a verdade é que fornecedores e mão de obra ainda são fatores muito limitantes por aqui. A nossa vontade é de produzir as nossas peças 100% local, mas pela falta de fornecedores, acabamos recorrendo a prestadores de serviço em outros estados. A coisa mais bonita que vemos aqui é o nosso público interessado em saber de onde veio cada peça. Pernambucano tem muito orgulho dessa produção local e criativa, e saímos de casa felizes da vida quando conseguimos nos vestir de Pernambuco da cabeça aos pés! 
 

Que artistas, designers ou artesãos pernambucanos vocês recomendam pra quem quer conhecer mais da cultura de vocês?
Nós amamos várias marcas/ designers locais e contemporâneos nossos, e temos o maior orgulho de sermos parceiras de vários. A Calma Monga e a Trocando em Miúdos são os nossos xodós, marcas irmãs que crescem juntas a cada dia e com quem temos um projeto lindo e inovador, a nossa Rosa Amarela. Além dessas tem a Detail, a Zezé Estúdio, Gabi Fonseca, Vitalina, Caos Estúdio de Criação, Tout, Guilherme Lira, Guilherme Luigi, Bel Andrade Lima, Simone Mendes, Dani Acioli, Pedro Melo, Bozó, Galo de Souza. E as infantis Firulinha e Mactoot. Essa lista só faz crescer angel

Se você também se apaixonou pelo poder da economia criativa e colorida da mulher pernambucana, fica de olho aqui, ó, que a d.uas lançou coleção nova e entrega por todo o Brasil! A gente tá amando conhecer essas marcas novas!  

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