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em paz e em silêncio

07.05.17

 #fabi gomes #farm entrevista #mindfulness



Você já ouviu falar em meditação mindfulness? A técnica, que tem feito cada vez mais sucesso por aí, ajuda a recuperar a qualidade de vida e reencontrar o equilíbrio, cada vez mais prejudicado por toda a correria do dia a dia. Aliás: você lembra a última vez em que ficou em absoluto silêncio, conversando consigo mesmx? Esse momento é mais importante do que imagina e a Fabi Gomes, do blog Via Integrativa, nos ajuda a entender o porquê. Vem ver!


- Fabi, conta pra gente: o que é a meditação mindfulness, afinal?
Mindfulness é um termo em inglês que significa "atenção plena", ou seja, é como se define a habilidade de colocar atenção integral no que quer que a gente faça: ao comer, tomar banho, ouvir, falar, sentir sensações no corpo e respirar. Também é conhecida como Sati, na língua páli, que era usada na Índia há dois mil e quinhentos atrás: atenção plena, sabedoria e ética eram os três "pilares" ensinados por Sidarta Gautama, o Buddha (que significa "desperto") para aqueles que quisessem conhecer melhor a si mesmos e se libertar da confusão mental, num mundo que deveria ser tão caótico quanto o nosso, com guerras, conflitos e incertezas. O bacana desse boom de mindfulness hoje é que a prática conta cada vez com mais adeptos na área de saúde, e esse apoio embasado nos conhecimentos e tecnologias atuais, como a neurociência e psicologia cognitiva, ajuda a comprovar resultados ainda melhores da prática diária de alguns minutos de atenção plena.

- E como a gente pode incluir esse tipo de meditação no nosso dia a dia?
No momento em que estamos fazendo qualquer coisa: lavando a louça, no vagão do metrô, no sinal de trânsito. Se pudermos pausar, nos abrir para o que estamos sentindo no corpo e na mente e tentarmos relaxar onde estiver tenso, já estamos usando a habilidade da atenção plena. Ela é como um guarda na porta de um prédio observando todos que entram e saem. Se há pensamentos, percepções, emoções, a atenção nos ajuda a nos dar conta de que estamos sendo "visitados" pela raiva, ansiedade, alegria ou pela sede, bem estar, etc.

- Quais são os principais benefícios que a meditação mindfulness traz pra vida? 
Sair do piloto automático é a principal vantagem, que nos leva a todas as outras habilidades. Não reagir automaticamente, seguindo o padrão de fuga x ataque, é uma grande mudança para a maioria dos praticantes, segundo as pesquisas que tenho feito e acompanhado. Na pesquisa que fiz com três turmas de 20 pessoas, que praticaram por 8 semanas no Hospital Phillipe Pinnel, com o apoio do Dr. Marcos Miceli, psiquiatra especialista em neurociência, registramos uma lista de resultados experienciados na visão dos participantes do programa:
- Melhoria da qualidade do sono;
- Mais capacidade de perceber estados emocionais e padrões de pensamento não saudáveis;
- Redução de ações baseadas em impulsividade (raiva, impaciência) e compulsão (alimentar etc.);
- Melhor capacidade de prevenir e de retornar após crise emocional;
- Melhoria na digestão de alimentos;
- Redução da incidência de gripes e outros problemas de saúde ligados a baixa imunológica;
-  Melhoria geral do estado de bem estar e maior equilíbrio emocional.


- A atenção plena também favorece a vida profissional, os relacionamentos... Você pode contar um pouquinho mais de como ela atua nesse sentido? 
Aprendemos desde a infância, na família, a nos regular interagindo com os outros. Para agir de maneira a criar conexões de confiança, que ajudem na colaboração e trabalho em equipe, precisamos do olhar, da escuta, aprovação e reconhecimento dos outros para nos sentir importantes, ou fazendo parte de um grupo. Algumas pessoas precisam mais disso. Outras, menos. Chamamos essa conexão com nosso próprio  "sentir" e o sentir do outro de empatia.

Num mundo cada vez mais caótico a anomia (ausência de empatia) se torna uma  epidemia. No ambiente de trabalho, por exemplo, é onde passamos grande parte do nosso dia e os nossos estados de ânimo mudam de maneira muito dinâmica, nos altos e baixos dos acontecimentos. Quando aplicamos mais atenção as nossas percepções, vemos que muitas vezes agimos de maneira agressiva ou passiva em relação aos outros. Com a prática, paramos de reagir no impulso e de nos machucar e machucar os outros com ações e palavras que não necessariamente solucionarão o problema. Conhecer novas ferramentas para se comunicar de maneira mais assertiva é um ponto chave da prática de Atenção Plena. 

- E você, Fabi, qual a sua formação? Como se aproximou da meditação? 
Me formei em relações públicas pela UERJ e fiz pós em antropologia e desenvolvimento cognitivo pela UFF.  Trabalhei 15 anos com RH, em Inovação e Projetos Sociais de Educação em grandes empresas. Comecei a meditar aos 21 anos, na faculdade, levada por uma amiga a um templo budista. Acabei virando presidente da Sociedade Budista do Brasil e hoje apoio como membro da diretoria. O centro oferece cursos e retiros  gratuitos e quer fundar um mosteiro no Brasil.

- E como a meditação ajudou você, na vida?
Minha mãe era psicóloga, meu pai, psiquiatra, ambos filósofos. E uma família bem disfuncional, ou seja, com muitos altos e baixos. Eu desenvolvi sindrome do pânico e tive um hipotireodismo devido ao estresse, e a meditação me ajudou a entender meus próprios padrões não saudáveis e a me comunicar de outra maneira, o que a Comunicação Não Violenta (Marshall Rosemberg) me ajudou ainda mais. Em 2015 decidi fazer um ano sábatico e morei em mosteiros budistas, o que foi muito desafiador para mim. Hoje ensino yoga, meditação e cuido de pessoas que, assim como eu, sofrem por às vezes não saber se dar limites e se escutar, escutar suas necessidades, angústias, e as daqueles que nos cercam.


- No dia 07 de maio a gente celebra o dia do silêncio e queremos saber: qual a importância do silêncio pra você? 
Silêncio é pausa. É espaço. Compartilhar um momento de silêncio com alguém, meditando, tomando um chá, um sorriso, um pôr do sol, pode ser um momento de troca profundo, onde as palavras não são necessárias. Na medicina chinesa falamos do equilíbrio yin (dentro) - yang (fora). Vazio e cheio. Frio e quente. Na nossa cidade especialmente, estamos sempre no "fora", na extroversão. Há pessoas que nunca ficam 10 minutos sozinhas em silêncio em nenhum momento da vida. Apenas ao dormir. E ficar sozinho em silêncio é um momento de contato com nós mesmos: observar como a respiração acontece, a sensação do corpo e os pensamentos que passam na cabeça. É como criar um espaço interno, perceber um frescor e o equilíbrio que sempre está ali, disponível, mas que nunca vemos. 

Fabi, a gente amou o bate-papo!  Agora é hora de praticar, shhh... 

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