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FARM entrevista: auroras

05.07.17

 #auroras #FARM entrevista



Nem museu e nem galeria, nem uma instituição e nem um lar, quase isso tudo ao mesmo tempo, mas ainda além, o auroras é um espaço de arte independente, onde a arte mais do que ocupar ou se exibir, habita confortavelmente e se sente em casa. Assim como Ricardo Kugelmas, que depois de dez anos como art advisor em NY, voltou a São Paulo pra compartilhar com a gente o belo casarão modernista de sua família, num projeto generoso e apaixonado.


Apadrinhado por ninguém menos que Tunga, o auroras abriu as portas no ano passado ao público apaixonado não só por arte, mas por todo o processo artístico. De lá pra cá, as salas por onde Ricardo correu na infância já foram preenchidas pelas pinturas de Alex Katz e David Salle, pelas esculturas de Lydia Okumura, por uma coletiva que reuniu pequenas obras de artistas como Ana Elisa Egreja, Luiz Zerbini, Jac Leirner e Janaina Tschäpe, entre outras atividades criativas definidas com a ajuda de um senhor conselho consultivo, recheado por nomes como Antonio Dias, Lenora de Barros e Charles Cosac.

Conversamos um pouco com Ricardo pra saber um pouco mais sobre esse espaço, que estala de boas ideias e intenções:


Quais suas primeiras memórias da casa?
A casa, construída em 1957 e projetada pelo arquiteto Gian Carlo Gasperini, foi onde minha mãe e tia (Lenny Niemeyer) cresceram, então ela vem carregada de memórias muito antes de meu nascimento. As primeiras lembranças que tenho da casa são dos almoços que lá aconteciam todos os domingos, uma tradição herdada pela Lenny. Lembro de me jogar do segundo andar da biblioteca e cair deitado em um sofá de couro (que está lá até hoje). Só de pensar em uma criança fazendo isso hoje em dia, fico de cabelo em pé.

Como é compartilhar um lugar que guarda tantas memórias afetivas, familiares e pessoais?
É uma experiência muito especial. Apesar da casa estar praticamente sem móveis, existe uma energia incrível no lugar. Fico feliz em ver a casa viva e ser o guardião do espaço.

O que diferencia auroras de uma galeria de arte tradicional?
O auroras não é uma galeria, é um espaço de arte independente. O auroras não representa e não representará quaisquer artistas, assim como não participa de feiras de arte. O espaço existe pra fazer projetos com artistas. Numa cidade de 20 milhões de habitantes, devem existir muitos espaços de arte que não sejam galerias ou instituições. Acredito nisso e estou fazendo a minha parte.


O que te fez se apaixonar por arte?
A casa dos meus avós (onde hoje funciona o auroras) era recheada de arte sacra e pinturas modernistas brasileiras, e esse ambiente sempre me fascinou. Quando tinha uns 8 anos, meus amigos só queriam jogar Banco Imobiliário, mas eu só queria jogar Leilão de Arte, onde os jogadores compravam e vendiam obras de arte, e curiosamente todas as obras são do acervo do Masp. Em 2006, o artista italiano Francesco Clemente me convidou para dirigir seu ateliê em NY, e foi aí que comecei a me dedicar integralmente a minha grande paixão.

O que te trouxe de volta ao Brasil?
O Tunga foi o grande responsável por meu retorno ao Brasil.  Um grande amigo e mentor, ficou anos me incentivando a voltar ao Brasil e começar um espaço de projetos onde eu pudesse compartilhar um pouco da experiência que tive trabalhando por 9 anos com um grande artista em NY.


O que torna a arte brasileira única, o que a faz diferente do que é criado no resto do mundo?
Aprendi com o Tunga que arte não tem nacionalidade. Arte é arte, independente do lugar onde ela é produzida. Pessoalmente admiro muito os artistas cuja produção não "entrega" sua nacionalidade.  A quantidade de ótimos artistas que temos no Brasil é impressionante.

O que te empolga no mercado de arte atual?
O mercado não me empolga. O que me empolga é a importância da arte e dos artistas na construção de um futuro melhor.


Como são criadas as exposições da casa?
Quando criei o espaço, convidei uma série de artistas e algumas pessoas ligadas a cultura pra formarem o conselho consultivo do auroras, e junto com este conselho debatemos a programação do espaço.

Qual seu espaço preferido na Auroras?
A biblioteca, que tambem era o espaço preferido de meu avô. Curiosamente, a biblioteca é um "puxadinho" construído em 1972, ano em que minha mãe se casou com meu pai justamente nessa casa.


Até Agosto, quando reabre com uma nova exposição, a casa segue aberta à visitação sob agendamento, onde é possível, além de conhecer o espaço, passar um tempo na biblioteca, que reúne uma coleção impressionante de livros de arte - e entender porque ela é o cantinho preferido do neto e do avô. 

Promessa absoluta de novas inspirações e memórias, agora também acessíveis a nós! 
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