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FARM entrevista: Bruna Toledo

18.05.17

 #bruna toledo #surfin sem fim #video com alma

Foto: Mariana Maciel

Imagina só percorrer três estados brasileiros no mar, conduzindo um kitesurf e sendo guiado apenas pela força das ondas e a direção dos ventos: demais, né? Essa foi a aventura na qual os participantes do documentário "Surfin sem fim" se jogaram, acompanhados por uma equipe super especial, pela jovem diretora e roteirista Bruna Toledo e pela sua produtora, Vídeo com alma. A gente bateu um papo com ela e garantimos: é inspiração pura! Vem ver
 

Foto: Mathias Lessmann

- Bruna, você é super engajada em questões ambientais. Conta um pouquinho da sua relação com a natureza pra gente?
A minha relação com a natureza é simplesmente a certeza que ela é a base de tudo. É a fonte de vida. De matéria prima, cores, sabores, essências, texturas. É o que faz ser possível existirmos nesse mundo. Quando tomei consciência disso, minha vida mudou muito, porque me fez repensar toda minha forma de interagir com o meu entorno. A forma como eu me alimento, a forma como eu consumo, de quem eu consumo e consequentemente com quem eu me relaciono. E é impossível não se preocupar com as questões do mundo nesse momento, fechar os olhos pro aquecimento global e diversos outros problemas que estamos enfrentando. Uma das idéias é ter um braço da produtora que foque cada vez mais em projetos socioambientais, usando o poder do vídeo para engajar e conectar indivíduos.

- Você também curte esportes? Quais os seus favoritos? 
Os esportes sempre foram parte de mim. Quando criança, minha trupe era uma amiga e uma turma de 10 meninos, e a gente jogava futebol, handebol, queimada, taco, andava de patins, atravessava a cidade de bicicleta. Chegava em casa tarde da noite, minha mãe assoviava na janela quando era a hora de subir. E eu sempre chegava cheia de roxos e marcas nas pernas. Lembro a primeira vez que uma amiga começou a usar salto e eu não entendi. Foi muito estranho. Não entendia a hora de “virar mulher”. Curtia muito ser criança-menino-moleque. E comecei a aprontar mais ainda depois dos 28, dei 7 pontos na cabeça num atropelamento de skate, quebrei o pé, enfim. Pra mim é fundamental estar em movimento. Me dá um gás extra que se estende em todos os âmbitos da vida. Seja yoga, corrida. Mas o que mais gosto de praticar são os esportes com prancha. Brinco no surf - mas não sou boa, definitivamente, amo o skate e recentemente fui inserida no mundo do kitesurf e amei! Olhando de longe parece algo impossível, mas é um dos esportes mais fáceis e democráticos que já conheci e dá uma sensação de liberdade transformadora.


Fotos: Mariana Maciel

- E a sua formação profissional? Vi que você já trabalhou como estilista, com marketing de moda... Afinal, como você chegou até aqui?
Pois é, vivi 10 anos no mundo da moda, alternando entre estilo e marketing. A Paula Ferber, a pessoa que mais amei ter como chefe, sempre me dizia que eu também tinha jeito pra uma outra coisa, que não era ser estilista. E eu não entendia isso, me sentia até um pouco chateada porque, afinal, fiz moda pra ser estilista, né? Não. Ela me pedia pra acompanhar as fotos com o fotógrafo, cuidar da próxima campanha, tratar com a assessoria de imprensa. E eu sempre com minha câmera na mão. Demorou exatos 5 anos pra eu entender o que ela queria dizer. Depois de uma temporada morando fora com minha GoPro na mão e sabendo o básico do Finalcut (editor de vídeos), comecei a montar pequenos vídeos pra registrar os momentos do cotidiano das minhas viagens. Na primeira vez que sentei pra editar um vídeo, fiquei até as 6 da manhã pregada no computador, completamente apaixonada com o que estava sendo criado ali. A partir daquele dia decidi comprar uma câmera melhor e comecei a topar fazer vídeos como trabalho, com um ex namorado que trabalhava com isso. As pessoas começaram a acreditar em mim quando nem eu mesma acreditava. Ainda trabalhando com moda, eu passava noites em claro editando os trabalhos de vídeo. Fui criando portfolio e foram acreditando mais e mais em mim. E aí pesou minha paixão por viagens, minha vontade de ser livre, que nasceu com a experiência fora do Brasil, e a certeza que um trabalho das 8h às 18h já não me satisfazia mais. Assim tomei minha decisão e mergulhei fundo no mundo audiovisual.

- Qual a ideia por trás da Vídeo com Alma?
Me questionei muito, por muito tempo, como o meu trabalho poderia gerar um impacto positivo no mundo. Encontrei no vídeo a ferramenta que me permite transbordar sentimentos e compartilhar histórias, envolver, conectar e inspirar, principalmente. A Vídeo Com Alma nasceu do desejo de fazer trabalhos que se conectem com os meus propósitos, com o que acredito profundamente. É impressionante o que nasce de um trabalho com amor e a ampla rede que, inevitavelmente, se cria e segue conectando pessoas com os mesmos sentimentos e vontades.


- O que é o "Surfin sem fim", afinal?
O "Surfin sem fim" é uma expedição de kitesurfe que acontece no nordeste do Brasil. Movidos pelo vento com um kite na mão e uma prancha no pé, esse grupo de aventureiros cruzam 3 estados do Brasil (Ceará, Piauí e Maranhão) num downwind (uma modalidade do kitesurfe) cheio de surpresas, explorando e acessando lugares incríveis que não é possível chegar de carro, apenas pelo mar.

- E como surgiu essa idéia?
A idéia do "Surfin sem fim", que na verdade é uma expedição aberta a qualquer pessoa que queira participar, é do Marco Dalpozzo, um italiano apaixonado pelo Brasil e pelo kitesurfe, que aqui chegou há aproximadamente 15 anos se encantou com a beleza exuberante dos lugares, com a constância do vento no nordeste e principalmente com a simplicidade das pessoas. O nordeste é a Meca do kitesurfe no mundo. E essas condições tornam perfeitas e possíveis travessias de km e km. Isso é fascinante: poder usar uma pipa como um meio de transporte limpo, atravessar estados sem precisar entrar num carro. O combustível é o vento e os companheiros, seres humanos movidos pela mesma vontade de descobrir e descobrir-se. Quando conheci o projeto, também me apaixonei. E fui convidada por ele para fazer disso um documentário que pudesse inspirar, repleto de poesia, outras pessoas a conhecerem essa aventura.

- Como foi a experiência de produzí-lo?
A experiência foi incrível e intensa. Existiam dificuldades logísticas, uma vez que o grupo percorria de 65 a 150 km pelo mar num único dia. Então tínhamos uma equipe que acompanhava pelo mar, com jetski, e um carro na areia, com o restante da equipe. Mas o Brasil tem uma costa diversa e desafiadora, e muitas vezes nos deparávamos com mangues, dunas, entradas de rio, usinas eólicas. Então tínhamos que fazer tudo de uma forma muito bem planejada e alinhada com os velejadores, pois em alguns momentos precisávamos pegar uma estrada por alguns km, balsas e entrar novamente em outro trecho para continuar acompanhando esses aventureiros. Mas trabalhar em meio à natureza, recebendo como presente cada dia um pôr e nascer do sol mais lindo que o outro, trabalhando com pessoas que têm a mesma motivação que você, que prezam pela liberdade, pela contemplação da natureza, pela poesia envolvida em tudo aquilo, é algo que me faz dormir com um sorriso no rosto todos os dias.
 

 
- Como rolou a seleção dos seis participantes desse aventura?
Os participantes foram surgindo de uma forma bem orgânica. O Marco, criador do "Surfin sem fim" e também personagem, é super conectado com a comunidade do kite e muitos já eram parceiros como a Marcela Witt, o Guilly Brandão, o André Penna. O Bowen foi um presente, um americano que veio ao Brasil no ano anterior e logo já entrou pra família, e o André Cintra é um super ser humano, conhecemos sua história através da Jalila Paulino, que cuidou de toda a produção do projeto, e ele também topou na hora.

- Vocês passaram por algumas dificuldades durante as filmagens?
Sem dificuldade, não tem aventura!  Acampamos um dia em cabanas de pescadores no meio do Delta do Parnaíba, no Maranhão, um pedaço de areia envolvido por braços infinitos de rios, dunas, mangues. Como não podíamos carregar muito peso e tivemos que ir até lá de barco, levamos pouca estrutura de camping, então posso dizer que essa foi uma noite mais dura. Eu mesma dormi num saco de dormir estendido num chão de madeira, com vários buracos. Alguns em redes, outros em barracas. Vento forte e constante a noite inteira. Mas a memória que guardo é apenas de um céu impressionante e a imagem daquele momento, com toda a equipe em volta da fogueira, assando um peixe com os pescadores e falando sobre a vida.


- Quais as suas expectativas com esse projeto? Isso é, como você pretende tocar as pessoas com ele?
Todas as pessoas envolvidas nesse documentário, da produção aos personagens, têm algo em comum: todas elas acreditam que o esporte - de uma forma geral mas especificamente o kite - é capaz de transformar nossas vidas. Lidar com nossos maiores medos e com as forças da natureza te coloca num lugar de respeito ao todo, ao entendimento de que realmente somos pequenos seres tentando se aventurar numa imensidão. Isso é muito lindo. Nos trás humildade, consciência corporal, respeito ao próximo, ao seu parceiro de jornada ou ao pescador que cruza o olhar com o seu por milésimos de segundo em alto mar. Posso dizer que o documentário é um convite às pessoas a olharem para si e pensarem: afinal, o que te inspira? Acreditamos que precisamos nos dar mais o direito de viver, de ir além, desafiar nossos limites. O esporte tem esse poder, de transformar nossas vidas, de dar aquele gás, aquele estímulo a mais que tanto precisamos no nosso cotidiano. É como uma passagem do Bowen no documentário, onde ele diz: “Comece com o 'sim'. Quando dizemos não às oportunidades da vida, estamos apenas fechando portas.”

- E já tem algum próximo projeto em mente? Conta pra gente, vai! :P
Estou embarcando pra Austrália ainda esse mês pra dirigir um projeto lindo com a Marcela Witt e o Nelson Pinto, pra Colabora Filmes. É uma aventura pelo lado mais selvagem da Austrália, onde vamos rodar 10 mil km de carro, e também vai ser gravado pro Canal OFF. Vai ser lindo!


Curtiu? Então anota aí na agenda: o documentário estreia no dia 06 de junho no Canal OFF! Quem mais já tá na contagem regressiva pra acompanhar essa aventura? o/

 
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