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graciosa divindade 

31.12.16

 #bahia #bruno capinan #lgbt #música



A experiência de ouvir o último álbum do cantor e compositor Bruno Capinan pode ser exatamente aquela imersão musical que você precisava nesse finzinho de ano, quando a gente começa a querer desacelerar e se conectar com algo maior, invisível e poderoso dentro de nós. E como a música pode ajudar, né?! 

Divina graça é o terceiro trabalho do Bruno e foi produzido por Ben Gil (alô, Gilberto Gil! ) e Domenico Lancelotti. O nome do álbum - que é também o título da primeira faixa do disco - é uma brincadeira com a música do hino baiano do Senhor do Bonfim. "Um trocadilho com o “graça divina” do hino, e a ligação cada vez mais constante com minhas raízes baianas e o candomblé”, conta o cantor.



E falando em Bahia, foi lá que muitas das músicas nasceram. A gente consegue sentir isso na levada das canções e principalmente na faixa Saint Salvador, canção quente e escrita com Ben gil - e que cita o bloco afro-baiano Ilê Ayê. Mas não é só na Bahia que mora a fonte desse balanço todo: muitas das canções foram escritas no trecho migratório do artista, que circula entre Rio, São Paulo, Toronto (que é onde ele vive há 15 anos) e Santa Cruz, na Califórnia



O primeiro single do disco, Vicente, é também o primeiro vídeo a ser lançado do álbum e foi gravado aqui no Rio, pelo fotógrafo Daryan Dornelles. A música nasceu de uma caminhada entre Santa Teresa e o metrô da Glória, quando Bruno se esbarrou com um carioca dos olhos cor de mel, chamado Vicente: "Perdi o chão", diz ele. 



A temática gay, aliás, é o principal pilar deste trabalho de Capinan. Ele quis falar do amor de uma maneira totalmente plena e com zero de discrição, cantando o amor para todas as tribos:“Li algumas coisas do escritor gaúcho João Gilberto Noll, Manuel Bandeira, Rimmbound, W. H. Auden, e tive a sorte de dividir com Caetano Veloso, na Bahia, alguns momentos de contemplação que serviram de combustível e coragem pra peitar o desafio de fazer um disco essencialmente gay, com canções que escrevi para homens pelos quais ‘eu me deixei seduzir’”.

Ah! E pra capa, o cantor chamou, além do fotógrafo Daryan, os meninos da festa Batekoo, que rola lá na Lapa. “Negros lindos, representantes de uma turma cada vez mais articulada e que tem total conhecimento da importância do empoderamento negro e negro LGBT”, afirma o artista.

Para ele, Divina Graça é assim, cheio de amor e de questões. E por aqui, a gente tá amando: já virou trilha sonora pro verão de pé na areia e alma lavada! 

Pra curtir balançando na rede  vem ouvir!
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