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há de brilhar

28.08.17

 #conexus project



A guerra não tem cor. Guerras são um grande campo aberto de poeira e dor, por onde se alastra uma imensidão de cinza varrendo o que existe de alegre, o que existe de belo, tornando muda a esperança. É um banho de tinta preta por cima das cores luminosas da paz. É o oposto absoluto da arte.



Mas antes das guerras e além da arte existem as pessoas, as que são habitadas por um conflito que não escolheram, as que sentem, perdem, partem e transitam entre terras da infância, entre um futuro incerto e uma vida que não existe mais. Entre a poeira do que sobra, o cinza do horizonte que não se vê , o preto do luto pelo que se perdeu.



E aí entra um pouco do Brasil, ou melhor, de uma brasileira que resolveu transformar a rotina dessas pessoas que perderam tanto, ou muitas vezes tudo, através da arte. Com o bacanésimo Conexus Project, a arte educadora Sheila Zago leva um pouco da vibração do nosso país e das cores pra transformar o cotidiano de refugiados no Oriente Médio, e deixar em forma imagens definitivas um pouco de esperança pro que virá.



Sheila teve sua rotiva virada de ponta a cabeça quando ganhou uma bolsa pra seguir seu mestrado em curadoria e museologia pelo London College London no Qatar. Por lá a moça começou a rodar países árabes como Marrocos, Jordância e Emirados Árabes conhecendo artistas, museus e projetos de arte, e foi tocada pelas inspirações e pessoas incríveis que conheceu pelo caminho.



O próximo passo foi arregaçar as mangas e usar a conexão entre o Brasil e Oriente pra levar um pouco de leveza e alegria pra zonas de conflito, renovar rotinas e esperanças, colorindo e ensinando através do poder transformador da arte. Da arte urbana, diga-se de passagem, que toma conta de espaços públicos, com acesso amplo a todos os olhos e afetos que passam por lá.



Entre barulhos de bombas e sorrisos de jovens, crianças e adultos que entraram na dança pra ver, vibrar e colocar a mão na massa nos projetos que revitalizaram os espaços temporários onde vivem, Sheila levou os artistas brasileiros Rimon Guimarães e Zé Palito, os Cosmic Boys pra pintarem muros, casas e escolas em campos de regugiados no Líbano e em Dubai, além de criar o maior mural da Síria, na cidade de Damasco.



O projeto que também já levou a artista Saadia Hussain pra recriar espaços na Palestina e Marie-Joe Ayoub pra encher o Norte do Líbano de cor, segue em Outubro de volta ao Oriente, não só pra pintar uma nova imagem de esperança, mas também pra alterar o dia-a-dia de jovens e crianças, ensinando através da pintura, desenho e fotografia novas formas de lidar com o que ficou pra trás, e criar o que há de vir.



Curadora, educadora e nômade, Sheila está agora no Azerbaijão, de onde seguiu de NY, pouco antes de uma expô coletiva sobre paz que lançará no Paquistão.

Ela diz não ter medo mesmo perante as bombas que perturbam a paz de pertinho, e que aprende e recebe mais em troca do que oferece, entre mulheres que se inspiram no seu exemplo, entre a felicidade que gera, a integração que promove e o amor que a arte faz circular. 

E aonde há amor, troca e arte só pode haver um futuro mais bonito, temos certeza! 
 
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