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letrux em noite de climão

29.08.17

 #letrux



O título curioso do novo projeto musical da carioca Letícia Novaes dá algumas pistas importantes sobre o seu som atual. Primeiro porque somos apresentadas à sua nova persona, Letrux, e segundo porque ele deixa claro que ficaram para trás as baladas solares e românticas do Letuce, banda que ela dividia com o multi-instrumentista Lucas Vasconcellos.

Não vamos negar: somos órfãs do Letuce como todo mundo, e estávamos ansiosas pra ouvir o disco solo da Letícia. Mas nada podia ter nos preparado pra essa noite de climão – estamos completamente viciadas. Nós e a torcida do flamengo, né?

Pensando bem, dava até pra imaginar. Isso porque o disco foi financiado via crowdfunding, assim como o excelente livro de poemas e ilustrações “Zaralha”, que ela lançou pela Editora Guarda-Chuva em 2015. Uma das grandes vantagens de se realizar um disco via financiamento coletivo é que o público entra em contato com o projeto ainda em gestação, e pode acompanhar a ideia tomando forma e se desdobrando. O vídeo que chamava para a campanha já dava o tom soturno – meio dramático, meio brincalhão – do disco, que foi lançado em julho pelo selo Joia Moderna e está disponível no Spotify, no Deezer e no Youtube.

De lá pra cá, fomos agraciadas com dois clipes incríveis, e aí pedimos pra Letícia contar um pouco sobre eles:

“O primeiro clipe foi de ‘Coisa banho de mar’, que eu dirigi junto com o Arthur Braganti, que também é tecladista da banda e produtor do disco. Somos amigos há muito tempo, temos um humor parecido e, como estávamos imersos na feitura do disco, fazer o clipe foi uma extensão de tudo que estávamos elaborando. Gosto muito de quebrar essa figura da musa de cabelão com doses de bom humor ou nonsense. A música fala de mar, mas quisemos estar dentro de um teatro mesmo, em cima de uma moto, bem climão, bem névoa – era a chegada dessa minha nova persona, Letrux. Quisemos ser engraçados e ao mesmo tempo não muito nítidos”.

 

 

“O clipe de ‘Noite estranha, geral sentiu’ quem dirigiu foi a Clara Cosentino, que já tinha feito o vídeo da campanha de crowdfunding. Gosto muito do olhar dela e da edição que ela faz, daí ela e a Poliana Pieratti vieram com mil ideias, maravilhosas, e fizemos uma reunião na praia mesmo, de dia. E numa noite bem fria fomos para Copacabana, passear. Essa música sou eu conversando com uma amiga, sabe? Gostei muito do resultado final, ficou sombrio e solar ao mesmo tempo, adoro esses encontros, cruzamentos.”

Além dos clipes incríveis, Letícia também já estreou o Letrux ao vivo, com dois shows no Rio e um em São Paulo. Quem foi, disse que está imperdível, até porque Letícia é muito atriz e muito performática. Aliás, no show de Sampa ela estava com um figurino vermelho deslumbrante, e a gente quis investigar o quanto a nova persona influenciou e como ela criou esse figurino.

“Acho que à medida que fui ficando mais velha a questão do figurino foi vindo mais forte pra mim. Antes eu era mais hippie, não dava tanta atenção. Agora sinto que o figurino me ajuda a passar uma mensagem. Quis usar vermelho, que é uma cor que chegou muito forte para mim nos últimos anos, e o André Von Schimonsky fez um macacão incrível, com uma luva maravilhosa, que me deu um tom dramático. O macacão também me ajuda e me mexer, porque quero peças lindas, mas preciso de conforto, acima de tudo. Em São Paulo estava muito frio e minha echarpe é vermelha também, daí eu quis entrar no show com ela me tapando, me cobrindo, e quando cantei o primeiro verso joguei ela no chão. Não foi nada combinado, aconteceu, mas eu gosto muito disso, de deixar rolar.

Para a nossa alegria, já tem show novo marcado no Rio. Dia 7 de setembro no Sérgio Porto. A gente se vê lá! :)


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