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mãe em dobro, com Carolina Nogueira

13.05.17

 #brasília #carolina nogueira #deborah nogueira #dia das mães



Num mundo em transformação, me pergunto se a maternidade também tem tomando outras formas. Pra me aproximar desse universo — tão abstrato pra quem, como eu, não sonha em ter filhos — tentei olhar mais de perto pra mães que me inspiram e, nesse processo, enxerguei melhor uma das mães com quem mais convivo: a Carolina Nogueira.

Carol é mãe do João e do Pedro, de 10 anos, mas também é jornalista, escritora, ilustradora e autora de dois livros infantis publicados de forma independente. Ela também é cocriadora de um blog sobre Brasília, o Quadrado, que destrincha a cidade e promove rodas de discussão, feiras e eventos sobre a produção cultural daqui. Se já não bastasse tudo isso, ela também é minha irmãangel
 

Carol sonhava em ser mãe, mas sempre foi muito atenta as suas buscas individuais. O primeiro desafio veio com a oportunidade de remoção a trabalho do marido, Alberto, pra Paris. A menos de um ano da mudança, ela ficou grávida e a novidade se tornou uma aventura emocionante, mas também cheia de questionamentos. “Na véspera da mudança, o Beto falou: se a gente vai virar pai e mãe desistindo dos nossos sonhos por causa de duas crianças que ainda nem nasceram, estamos começando mal”.

Desde então essa continua sendo a base pras decisões da vida: “Na minha visão, a maternidade não deve ser limitante. A gente deve tentar arrumar esquemas pra viver o melhor possível, pra que a maternidade seja agregadora. No caso, ter um companheiro massa dentro desse projeto ajudou MUITO; mas, independente disso, sinto que as mães precisam ser incentivadas a não desistirem de si, de seus projetos individuais, em função da maternidade — isso é um norte, mas na prática, não é fácil”.


Mesmo com esse foco, a maternidade muda tudo: a disponibilidade, a necessidade de planejamento e a forma de ver o mundo são só alguns exemplos. Pra brasiliense, ter dois meninos influenciou inclusive sua percepção de gênero: “Venho de uma família superfeminina e, de repente, tenho dois meninos dentro de casa. São indivíduos que vão entrando numa caixinha e é evidente o peso dos papéis que a sociedade impõe. Percebi o quanto é importante não limitá-los nessa construção do que é ser homem. Até em nome da saúde psíquica deles, fazê-los reconhecer que eles precisam de afeto, que podem sentir dúvida, expressar medo e desempenhar papéis que vão surgindo naturalmente ao longo da infância.”

Carol acha importante estar atenta e trazer as crianças pras discussões, ouvindo, questionando, formando conceitos juntos e diminuindo a carga que é tão pesada no momento de construção. Essa troca traz o que de mais significativo a maternidade tem: possibilidade de aprender junto. “Eles me fazem pensar sobre a vida. Elaborar com eles é muito bom. O mundo é um lugar meio árido, os espaços de afeto são raros. Nesse aspecto, ser mãe é preenchedor.”


Foi nesse espaço de troca que a jornalista reuniu seu desejo infantil pelo desenho e a paixão pela profissão: “Escrevi dois livros infantis que surgiram de processos racionais, eles parecem que já nasceram prontos. Um deles, Rua de Todo Mundo, por exemplo, nasceu de uma viagem à Praga com os meninos. Mesmo com 3 anos e sem falar o idioma, as crianças começaram a interagir com as outras, sem papéis, nem palavras, simplesmente brincando. A elaboração desse encantamento por um sentimento que não tem nome, dessa brincadeira infantil sem palavras e supra-cultural, que inspirou o livro.” 

“Sempre tive a consciência da busca por um espaço meu, mas era uma coisa não-autorizada. Só recentemente que venho trazendo isso pra uma reflexão mais séria. Pessoalmente, sinto que se eu não me permitir essa autonomia, eles também não vão chegar a uma autonomia.”

Carol ensina os meninos a sentirem segurança mesmo nas mudanças e abraçarem o mundo, sempre que ele se mostra novo: “Esse momento de transição é muito rico na maternidade: a hora de experimentar o mundo com essas crianças que estão se tornando indivíduos, ao mesmo tempo que você vai experimentando esse mundo de novo também”.

* Agradecimentos à querida Taís Valença que fotografou tanto amor com tanta gentileza


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