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o mais barulhento silêncio na MFL

04.04.17

 #mostra do filme livre #o mais barulhento #silencio



Tá rolando, entre os dias 06 e 15 de abril, a Mostra do Filme Livre, no Centro Cultural Banco do Brasil. Esta é a 15ª edição do festival de cinema independente, e a primeira em que ele alça voo pra fora do Brasil. Além do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte (a partir de 17 de maio), de São Paulo (Matilha Cultural) e de Niterói (Cine Arte UFF), o MFL vai acontecer também em Boston, na Boston University.


Boas notícias pro cinema brasileiro, e notícias ainda melhores pros nossos esforços feministas, já que esse é o ano com mais filmes dirigidos por mulheres até hoje: dos inscritos, 22% tinham mulheres na direção. Já dos selecionados, 61 filmes foram dirigidos por minas, ou seja, 36% do total! Ainda falta? Super falta, mas para um ano em que não tivemos nenhuma diretora indicada ao Oscar, o Brasil está dando lição!


A programação completa você pode acessar aqui, mas a gente quer recomendar mesmo o documentário "O mais barulhento silêncio", da diretora baiana Marccela Moreno, de 27 anos. O filme é uma denúncia à cultura do estupro, feita a partir de relatos verídicos e dramatizados por atrizes em monólogos emocionantes

"O cenário escolhido foi um canteiro de obras. O local está repleto de concreto e ferro e, no meio disso, a gente montou um quarto com elementos que remetem à ‘’pureza’’ e à sexualidade da mulher, como um vestido branco, uma cama branca e rosas", conta Marccela. E continua: "A ideia é desconstruir esse imaginário, fazendo com que as imagens deem mais força aos relatos". O filme estará em cartaz nos dias 6 e 15 abril, às 15h, sendo que no dia 15, após a exibição, ainda será realizado um debate sobre o tema com a diretora, às 16:30. Quem vamos? o/


O filme de Marccela, que é baiana mas mora há quatro anos no Rio e cursa cinema na PUC, constou na programação do Congresso Internacional de Violência Doméstica, em setembro de 2016, e também no Panorama Internacional Coisa de Cinema. Foi exibido na Mostra de Cinema de Tiradentes e na Mostra de Cinema Feminista em Belo Horizonte. Fora do país, chegou ao Festival Málaga Espanha, em março, sendo o único filme latino de sua categoria, e também ao Festival Kinoki, na Cidade do México. Responsa, né? 
 

Batemos um papo com a moça sobre o que a levou a perseguir esse assunto tão difícil e importante:
"Esse é um filme necessário num momento tão difícil pro nosso país, que passa por uma onda conservadora na qual as minorias estão arriscadas a perder seus direitos, conquistados com tanta luta", avalia a diretora. "Mas o filme é também um reflexo de nossa resistência. Nós decidimos romper esse silêncio ante os estupros de nossos corpos e almas enquanto mulheres".


Assinamos embaixo, Marccela. E estaremos lá pra prestigiar. Aliás, perguntamos pra Má se ela recomendava mais alguma coisa na mostra, e ela disse que a “Sessão Cabine”, que é um espaço pra obras que beiram experimentos visuais e video arte, também está incrível. Os vídeos ficam em loop o dia todo, e ela disse que vale à pena esperar pelo curta “Autópsia”, da carioca Mariana Barreiros.

Anotado? Então até lá! 

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