em 

TODO O SITE  

retratistas do morro

18.12.17

 #retratistas do morro



Memórias boas, momentos inesquecíveis, histórias engraçadas, pessoas importantes e tantas outras coisas ficam eternizadas na fotografia. Aliás, nada como relembrar esses acontecimentos revendo aquelas fotos que estavam guardadas ou esquecidas num cantinho do armário, né?

Através da fotografia também podemos mostrar pro mundo a importância de uma comunidade, um bairro, uma cidade e toda a sua história. Assim, nasce o projeto Retratistas do Morro, do Guilherme Cunha de Belo Horizonte, ó só.



Olha que bacana:  a ideia é publicar um livro com fotografias feitas pelos retratistas tradicionais João Mendes e Afonso Pimenta, que trabalharam, durante os últimos 50 anos, na Comunidade da Serra, segunda maior favela do país, localizada ao longo da encosta da Serra do Curral, na cidade de Belo Horizonte. Por lá, eles fotografaram acontecimentos locais e o dia a dia seus moradores. No livro, também terão imagens do acervo pessoal de monóculos da Dona Ana Martins, moradora da Serra.



Mas, pra isso se tornar real, tá rolando um crowdfounding no esquema tudo-ou-nada que termina amanhã! Bora ajudar?
 



Afinal, todo o processo de pesquisa que deu origem ao livro vem sendo realizado desde 2010 e há 4 anos teve início o trabalho de levantamento dos fotógrafos tradicionais, mapeamento e estudo de seus acervos, restauração, digitalização e preservação do material fotográfico pertencente a eles, que varia de negativos em preto e branco de médio formato, negativos coloridos 35mm, a conjuntos monóculos com slides de 35mm.

O projeto recebeu o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade em outubro de 2017, concedido pelo IPHAN, pelo reconhecimento da importância simbólica dessas fotografias pro Patrimônio Cultural Nacional, pelas imagens permitirem um entendimento mais amplo sobre a trajetória histórica das cidades brasileiras e suas populações.



E claro, a gente bateu um papo com o Gui sobre tudo isso:

- Essa é uma baita iniciativa pra mostrar a riqueza cultural e histórica das cidades e comunidades, como surgiu a ideia da pesquisa?
Durante a realização do projeto que resultou no livro “Memórias da Vila”, entre os anos de 2011 e 2016, conhecemos Dona Ana Marins, que nos apresentou o que ela chama de seus tesouros: era uma coleção de 60 monóculos com cenas de seu cotidiano mais familiar, com seus filhos e amigos, nas décadas de 70 e 80, que representam suas memórias afetivas.  
Naquele instante, surgiu o projeto Retratistas do Morro. Entendemos, a partir das imagens da Dona Ana, que houve um intenso movimento de produção de imagens naquela comunidade, acompanhando suas transformações e a vida social do morro por muitos anos. E essas fotografias ainda se encontravam desconectadas da história da cidade.  
Todo o trabalho é pauta no poética da convivência e apreendido com os moradores e fotografias que acompanharam a trajetória das comunidade e favelas no Brasil, com objetivo de contribuir para a preservação da memória visual e oral desses locais.




- Gui, conta pra gente, o que a fotografia significa pra você?
 A fotografia é uma interface de comunicação com o mundo, de projeção de valores; é uma ação de representação simultaneamente poética e política. As imagens carregam ideias que impactam na forma como interpretamos a realidade e organizamos nossas prioridades, pessoal e coletivamente. Toda visualidade é um espaço de disputa de poder. As formas de representação falam da caminhada humana, de como pensamos e sobre o que é importante para nós. A questão é quem ocupa esses espaços e a partir de quais referencias interpretamos as imagens. O universo do simbólico, para ser justo, precisa dar conta de coincidir e fazer conviver as diversas manifestações sensíveis, tipos de subjetividades, identidades culturais e as múltiplas noções de realidade. São muitas as matrizes de pensamento e não podemos perpetuar essa ideia de que uma única versão da história deve prevalecer sobre todas as outras. Existe no Brasil uma desigualdade social acentuada, mas também uma outra forma de violência que poderíamos chamar de desigualdade ou “apartheid” simbólico. Precisamos reverter esse quadro ampliando nosso entendimento e aproximando as pessoas.

- E como você acha que esse projeto pode impactar positivamente a vida dos moradores na Comunidade da Serra? 
O livro Retratistas do Morro, então, pretende contribuir para a preservação do patrimônio imaterial, identidades culturais e memórias imagéticas dos moradores do Aglomerado, abrindo um espaço de circulação para as imagens que representam essa população, a partir de uma óptica própria, bem diferente da utilizada pela chamada "grande mídia". É importante conhecermos as pessoas por quem são, e não por meio de terceiros.  

As imagens que estamos restaurando, dos acervos do João Mendes, Afonso Pimenta e Dona Ana Martins, nos revelam outras versões da história das cidades e das populações de favela no Brasil, contadas a partir das experiências e visão de mundo de moradores.  Essas fotografias produzidas ao longo de quase de meio século, acabaram se tornando um dos poucos acervos imagéticos, ainda preservados, sobre a memória visual da cidade de Belo Horizonte, capaz de promover a inclusão social, ao conectar as histórias de vida dos moradores do aglomerado, suas personalidades e líderes comunitários à história dessa metrópole.

Demais, né? Que mais e mais ideias como essa apareçam pra mostrar a força e verdade de tantas comunidades desse Brasilzão que a gente ama! 
 
TOPO