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sejamos todas hystéricas

14.12.17

 #hysteria

Pra psicanálise e pro senso comum, o conceito de histeria sempre remete a algo negativo. Algo que passa dos limites e que se manifesta no corpo como excesso. Não à toa é uma palavra associada majoritariamente à mulher, ao feminino. “Fulana está histérica hoje”, dizemos nós até de nossas amigas, quando elas estão fazendo tempestade em copo d’água. Quando não estão “sob controle”.

Basta! Porque se tem alguma coisa que esses últimos anos andaram nos ensinando foi a botar um sinal de positivo na histeria feminina. Entendemos, de uma vez por todas, o que significa “gaslighting”, que é quando um homem tacha uma mulher de louca para que ela não seja levada a sério. Estamos aprendendo o que significa de fato a sororidade, aprendendo a andar juntas. Ainda bem.

E foi nesse embalo que um grupo de mulheres resolveu que também estava na hora de contarmos as nossas próprias histórias. Assim, por completo. Do roteiro ao vídeo pronto, da primeira à última letra. E assim nasceu a Hysteria, uma plataforma de conteúdo sonhada, criada e produzida por mulheres.

A ideia surgiu dentro da Conspiração Filmes, e o objetivo das criadoras é amplificar as vozes e anseios de mulheres criativas do Brasil, por meio de vídeos, textos, podcasts e qualquer outro formato que possa surgir no caminho. A Isabel de Luca, Diretora Editorial da plataforma, contou pra gente um pouco de como foi o processo:

"A ideia de criar Hysteria partiu da Renata Brandão, CEO da Conspiração. Em plena primavera feminista, é cristalina a falta de identificação das mulheres com conteúdos publicitários ou de entretenimento em que ainda são trabalhados estereótipos femininos muito antigos. Hysteria nasceu da percepção de que há uma demanda do mercado para suprir essa falta de identificação. A ideia é aumentar a representatividade da mulher num mercado tão masculino como o do audiovisual. Segundo o Free The Bid, por exemplo, apenas 13% dos diretores do mercado publicitário brasileiro são mulheres. Pretendemos fazer tudo isso armando uma ampla rede de mulheres que produzem conteúdo e buscam expressar suas vozes em meio ao processo de ressignificação que estamos vivendo"

E a Hysteria já chegou arrasando muito, com um clipe/manifesto estrelado pela maravilhosa Letrux, que a gente já entrevistou por aqui. Tem também uma série linda com a Maria Ribeiro e outra de humor com a Consuelo Dica Boa, um dos nossos personagens favoritos do youtube. A Nin, revista de arte erótica da Letícia Gicovate e da Alice Galeffi, que também já foi pauta aqui no Adoro, também está por lá, assim como a Revista Capitolina. Aliás, a curadoria está mesmo muito incrível. A Lia Bock, editora da plataforma, falou sobre isso com a gente:

"Umas das primeiras coisas que a gente colocou na rua foi a newsletter. Nos juntamos à Maria Clara Villas, que já fazia a Galáxia com maestria há um ano, mas com uma circulação pequena.

Hoje, a ‘Hysteria das Galáxias’ tem uma base de mais de 4 mil assinantes e é uma das curadorias de notícia mais incríveis que circula pelas redes. De pautas feministas a indicação de seriados do submundo da internet. De podcast escandinavo à mais nova produção musical do nordeste do Brasil. Textos, vídeos, podcasts, memes e o que há de curioso e interessante rolando no mundo. Temos muito orgulho que a nossa newsletter pauta, informa e diverte."

Outra coisa que a gente amou muito foi a logo, que aproveita o Y deslocado pra dentro da palavra em português e o transforma num útero. Nada mais potente do que esse órgão exclusivamente feminino, de onde nasce – literal e metafisicamente – absolutamente tudo.

Vida longa à Hysteria, meninas! 


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